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palavra eterna






em meu redor, a memória
paredes meias
com sonhos e abismos  
com a parte de dentro
aberta ao instinto

                               destino cego

anónimo encontrocom a madrugada saída da noite 
não basta respirar
o crivo da hora a hora
tombado no olhar

                                cavo, é o arco da boca

sem outro calar
nos braços naufraga,
chama o dia e não o lugar
chama a verdade
herança da alma

                            em cadência

vem o tempo
e prende-me ao chão
devagar, como sombra de árvore
vejo avançar
na silente terra
o recado da palavra eterna


Zita Viegas

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Gosto do mar quando está à conversa

Gosto do mar quando está à conversa. Cicia à espuma. Sobre a areia nua. Sinto a vontade de ter uma lágrima. A pulsar como a semente. Sem palavra. Sem escuta. Gosto do mar quando está à conversa. Põe-me num sono bolino. Como no embalo junto ao peito. Gosto do mar quando está à conversa. Encontro-me com o ontem, como saísse da minha mãe. Gosto do mar quando está à conversa. Exalta-me como som de violino.

Que pouco fosse, mas que para sempre me fizesse menina

Se fosse calor, vestir-me-ia de estação. Se fosse videira, comeria a terra. Se fosse trago, beberia a uva. Se fosse contigo... colheria flores. Sempre que o Outono fosse vinda. Sempre que o Verão fosse haste de bonomia. Com braços inclinados ao chão, para a vida, tomaria o corpo do vinho. Que pouco fosse, mas que para sempre me fizesse menina. Zita Viegas