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Solitário




Resultado de imagem para sem abrigo
https://www.google.pt/searchq=sem+abrigo&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwion7iE2qLXAhUDWRoKHbYTBIoQ_AUICigB&biw=1280&bih=679#imgrc=tfMp3T-OUJ_yPM:
                                         


O olhar tocado pelo plúmbeo

adormecer das ruas da cidade despovoada

e nos pés plantados de cansaço

rumorejam no empedrado fundo de engano.


Entorpecidos vagabundos do tempo

fundam nos bolsos mãos anémicas

vítimas sem recursos que tecem ansiedades

 e fendem pensamentos em atalhos.


Mitigam odores cores e frestas

procuram um laço, um sorriso, um ombro

sentindo a palidez na boca

de um pacífico caule da mortalha descontinua.


Passos ocos atravessam a noite

num adormecido quadro

de horas cismadas,

sem choro, no riscar dos dias

a lâmina da noite, faz febril o corpo.



Na concha da mão envelhecem

perturbando a solidão

que o gatilho da esquina guarda

para num só esforço, suspirarem

tentações e subirem no esquecimento.


Zita Viegas



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Gosto do mar quando está à conversa

Gosto do mar quando está à conversa. Cicia à espuma. Sobre a areia nua. Sinto a vontade de ter uma lágrima. A pulsar como a semente. Sem palavra. Sem escuta. Gosto do mar quando está à conversa. Põe-me num sono bolino. Como no embalo junto ao peito. Gosto do mar quando está à conversa. Encontro-me com o ontem, como saísse da minha mãe. Gosto do mar quando está à conversa. Exalta-me como som de violino.

É dom do mar a liberdade

Peito com lonjura no eterno escafandro. À tona, o mar guarda a proa. Nas fontes, a vontade da terra jorra azul. Vai como as aves, zarpar na madrugada a inocência. Entre os abismos, o mar acorda a ferocidade. Nas veias do sol, na vibração do vento. As águas lavram geografias e quimeras. A liberdade. é dom do mar. No fundo, sombras em metamorfose. Dormem pretéritos. Entoam bravuras. Sob o ouro das estrelas nascem liras e pensamentos de cidades idas. Crescem mitos e labirintos, nas rochas amadurecidas sem tempo. Volante das águas, a lua talha a face do universo. Na viagem abre gargantas extáticas, moldadas nas altas torres frias. Sob o sol arde o gelo, cortado pelo gume do fogo. Quase aéreo, o mundo permanece preso à espinha da raiz. Mais próxima da alma ficam as estações. São como mulheres pelo lado de dentro, levam no regaço o voo do êxodo. O mar cresce de véspera no fundo. Cresce em vertigem sobre as dunas. Mas a água rachada...