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medula da vida



No bater de duas asas​ ...
Fotografia que ornamenta a página com o poema "No bater de duas asas", título e fotografia de Jorge Santos http://namastibet.blogspot.com




possuo o corpo
no seu exilio
deixando
lasso o lado esquerdo

na boca colho
o sémen
em comunhão com a água
no seu sopro d' instante

no último existir,
coloco as mãos em arco
em jeito de dádiva.
todos os rumores da terra adormecem.

não me basta o espanto
para abrir o espírito.
entrego-me ao porte das árvores
libertando-me
na medula da vida



Zita Viegas

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Gosto do mar quando está à conversa

Gosto do mar quando está à conversa. Cicia à espuma. Sobre a areia nua. Sinto a vontade de ter uma lágrima. A pulsar como a semente. Sem palavra. Sem escuta. Gosto do mar quando está à conversa. Põe-me num sono bolino. Como no embalo junto ao peito. Gosto do mar quando está à conversa. Encontro-me com o ontem, como saísse da minha mãe. Gosto do mar quando está à conversa. Exalta-me como som de violino.

Que pouco fosse, mas que para sempre me fizesse menina

Se fosse calor, vestir-me-ia de estação. Se fosse videira, comeria a terra. Se fosse trago, beberia a uva. Se fosse contigo... colheria flores. Sempre que o Outono fosse vinda. Sempre que o Verão fosse haste de bonomia. Com braços inclinados ao chão, para a vida, tomaria o corpo do vinho. Que pouco fosse, mas que para sempre me fizesse menina. Zita Viegas