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o melro







Fundo com pássaro estilizado — Vetor de Stock





na travessia
leva o lusco-fusco.
voa veloz para anoitecer a árvore.
com o bico em pranto 
fere o dia, sem ferir o canto.







Zita Viegas






Comentários

  1. Quem tem a razão dos pássaros em sinais de fumo
    A ilusão de doze mundos, a raiva dos furibundos ...

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  2. quero dos pássaros o instante do bater das asas. Obrigada.

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    Respostas
    1. A minha consciência de viver é um cortinado branco e a deriva uma constante o instante uma bandeira e o horizonte o largar do navio, o dizer adeus cortante, dilacerantes como são os navios em mar alto, a minha consciência de viver é branca como a neve...

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    2. o fundo do mar guarda a proa, o peito e a lonjura na ausência da sombra.

      Eliminar
  3. Breves leves as sombras das algas molhadas dando mãos e largando-as como se fossem encarnações de náufragos e naufrágios e o bater das ondas nos cascos

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Gosto do mar quando está à conversa

Gosto do mar quando está à conversa. Cicia à espuma. Sobre a areia nua. Sinto a vontade de ter uma lágrima. A pulsar como a semente. Sem palavra. Sem escuta. Gosto do mar quando está à conversa. Põe-me num sono bolino. Como no embalo junto ao peito. Gosto do mar quando está à conversa. Encontro-me com o ontem, como saísse da minha mãe. Gosto do mar quando está à conversa. Exalta-me como som de violino.

É dom do mar a liberdade

Peito com lonjura no eterno escafandro. À tona, o mar guarda a proa. Nas fontes, a vontade da terra jorra azul. Vai como as aves, zarpar na madrugada a inocência. Entre os abismos, o mar acorda a ferocidade. Nas veias do sol, na vibração do vento. As águas lavram geografias e quimeras. A liberdade. é dom do mar. No fundo, sombras em metamorfose. Dormem pretéritos. Entoam bravuras. Sob o ouro das estrelas nascem liras e pensamentos de cidades idas. Crescem mitos e labirintos, nas rochas amadurecidas sem tempo. Volante das águas, a lua talha a face do universo. Na viagem abre gargantas extáticas, moldadas nas altas torres frias. Sob o sol arde o gelo, cortado pelo gume do fogo. Quase aéreo, o mundo permanece preso à espinha da raiz. Mais próxima da alma ficam as estações. São como mulheres pelo lado de dentro, levam no regaço o voo do êxodo. O mar cresce de véspera no fundo. Cresce em vertigem sobre as dunas. Mas a água rachada...